TRADUTOR

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

JESUS E A CASA DO PAI




Imagem: Instituto Chico Xavier



Mamãe e papai foram convidados para um chá na casa de dona Jurema. Claro que eu e a Dete adoramos, afinal sabíamos que chá era só nome porque na verdade eram servidos bolinhos de chuva normal e de banana, bolachas e o pão quentinho com manteiga além do chá e para quem quisesse refresco. 

Todos já estavam se deliciando, quando dona Jurema perguntou a todos se tinham o costume de ouvirem falar de Jesus em alguma igreja, templo ou reunião?  Ninguém tinha este costume, iam de vez enquanto à igreja e alguns iam no centro Kardecista, mas não era um costume, era quando dava. 

_ Pois é, poucos são aqueles que sentem a necessidade de ouvir falar das coisas do Pai ou então da vida do Mestre Jesus e isto faz muita falta à nossa alma, pois saibam que é o alimento de nossa alma, é o nosso sustento para o dia a dia. - Falou dona Jurema.

_Mas dona Jurema – disse o sr. Marco pai do Joãozinho – no dia a dia tão corrido, fica difícil tirarmos um tempinho.

_ Concordo sr. Marco, mas para isso temos os finais de semana ou então à noite uma horinha basta, nenhuma igreja ou centro costuma se estender muito além disto.

_Verdade, falou mamãe, mas o mundo está muito materialista, não entendem que o vazio que sentem em seus seres não existiria se se aproximassem do Sagrado, das verdades
Divinas.

_ Bem, então eu vou contar a vocês uma história que mostra que até Jesus sentia necessidade de ouvir falar de Deus, escutem. - Falou dona Jurema e continuou.

_ José, como todo bom judeu, levava sua família a Jerusalém para a festa da Páscoa. Era uma viagem difícil, a grande maioria ia a pé de Nazaré até Jerusalém. Saíam juntos e andavam uns três dias ou mais.
A família de José não era pequena, José e Maria tinham de cuidar do menino Jesus e de seus irmãos.  Houve um ano, que já no retorno a Nazaré, eles não notaram que Jesus não estava.

_ Nossa dona Jurema, como puderam esquecer um filho?
_ Dete, não esqueceram Jesus, aconteceu que era costume os homens irem à frente e as mulheres atrás, Maria pensou que Jesus estava com José e José pensou que Ele estava com Maria. As caravanas eram grandes e as crianças andavam brincando, apostando corridas, eram crianças e agiam como tal. Mas no final do dia, Maria e José se encontraram e perceberam que Jesus não estava nem com um, nem com outro. Procuraram com os parentes e ninguém tinha visto Jesus.  Então, fizeram o que tinha que ser feito, abandonaram a caravana e voltaram para Jerusalém.
_E encontraram? - Eu perguntei.
    
 _Sim, Didi, foram até o templo e lá Maria o encontrou no pátio entre alguns doutores da Lei. Ele fazia perguntas, escutava e depois também falava dando sua opinião e todos estavam abismados diante da sabedoria daquele menino. Sua mãe bastante nervosa, foi até Ele e perguntou o porquê de ter feito aquilo, deixando ela e o pai tão preocupados. Jesus, muito calmo, olhou para a mãe e respondeu exatamente assim: “  Por que tiveram de procurar-me? Não sabiam que eu tinha que estar na casa de meu Pai?”
Então, vejam o exemplo de Jesus que desde menino gostava de estar em um templo que representava na Terra a casa de seu Pai. Ele gostava de ouvir e depois falar, Ele ali aproveitava sempre para ensinar a todos as verdadeiras Leis de Deus, onde Ele sempre priorizava o AMOR MAIOR.

_ Bem, Jesus desde criança nos ensinava praticando aquilo que ensinava, Ele dava exemplos na sua forma de agir, não é?

_Sim, Didi, é isto mesmo. Mas vejam eu fiz estas guloseimas para que ninguém estivesse com fome e assim conseguissem prestar atenção no que eu ia passar.

_ Saco vazio não para de pé, não é dona Jurema?

_ Sim, Joãozinho, e assim como devemos nos alimentar para podermos nos sentir bem, da mesma forma, devemos comer o alimento da alma, que nada mais é que ouvir e falar do Pai altíssimo e de seu filho Jesus nosso Mestre amado.

_ Concordo, desta forma preenchemos o vazio de nosso interior e nossa fé cria força. – Este é papai falando.

_Mas não basta apenas ouvir, devemos colocar em prática em nosso dia a dia, pois desta forma passamos a frente o que aprendemos da forma mais eficaz que existe, através de nosso exemplo, mas esta forma de agir tem que ser natural, vir de dentro para fora, senão estaremos sendo hipócritas e antes que as crianças perguntem hipócrita quer dizer falso. Muito bem, agora que já falamos um pouquinho de Jesus, vamos deixar as crianças brincarem e nós adultos vamos falar da forma que temos agido em nosso dia a dia.

Bem, estou com a barriguinha estufada de tanto comer, vocês precisam vir aqui nestas reuniões, é muito gostoso e não só por causa das guloseimas. Tchau até outro dia.

Didi
21-08-19

quarta-feira, 17 de julho de 2019

PASSARINHO SOLTO PASSARINHO FELIZ



Uma noite papai chegou em casa, parecia muito feliz, dizia que iríamos no dia seguinte
ao sítio da irmã da vovó no Riacho Grande, próximo a represa billings.

Logo às  sete horas, nós estávamos já acordadas de tanta ansiedade, tomamos o café da manhã e nos trocamos, mamãe arrumou uma mala,  íamos voltar no terceiro dia cedo, era longe, pegamos um carro de aluguel, papai dizia que uma vez na vida e outra na morte podia.
Bem de carro chegamos antes das dez, foi uma hora e meia, antigamente as estradas eram bem ruins e os carros bem lentos.

Tudo ali nos encantava, as galinhas com seus pintinhos, a horta e o pomar, tudo muito lindo e o tio Gustavo tinha uma seriema domesticada solta pelo pequeno sítio. Seriema que um amigo trouxera pequena dizendo que pegara na mata ao redor. Mas ela era brava, cuidava da entrada do sítio melhor que o cachorro policial. Até a gente, que ela não estava acostumada, só saíamos da grande varanda acompanhada dos tios ou da avó, madrasta de mamãe. Aliás, vovó era danada, adorava nossas traquinagens.

No segundo dia cedo, vovó nos levou por uma subida no sítio que ficava acima da casa e lá tinha um viveiro de passarinhos. Eram muitos e vovó disse que era tudo pego no alçapão na mata nossa vizinha. Então Dete disse:

_ Vó isso não é certo. Pobrezinhos viviam livres e o tio os pega para colocar em uma prisão, para quê?

_ Ora Dete, ele gosta de mostrar aos amigos e também de manhãzinha e às vezes a tardinha têm os cantores, que alegram o sítio.

_ Vó a Dete está certa, aqui tem muito passarinho na mata que canta e a gente ouve, estes aí não fizeram mal a ninguém para viverem presos, pobrezinhos.

Então a vovó danada, disse assim:

_ Solta! Abre as portas e deixe abertas, vão sair aos poucos, nasceram livres e estão presos há pouco tempo, porque o tio começou faz dois anos, mas muitos morreram antes de um ano e o tio vai pegando mais pra repor. Pode fazer o que falei, eu falo com ele.

Nem pensamos duas vezes, eram dois viveiros grandes, não sei dizer o tamanho, tinha muito passarinho pequeno. Foi uma beleza, abrimos e ficamos assistir eles saírem, tão bonitinhos, alguns vinham até a porta e esticavam a cabecinha pra fora e só então se aventuravam, pareciam estudar o terreno, outros voavam para as grades do lado de fora e ficaram minutos e mais minutos estudando o território, só então se iam. Eu e Dete estávamos extasiadas e soltávamos gritinhos de alegria.

_Quando poucos faltavam, vovó disse vamos embora, antes que o tio chegue e note que não estamos lá pra baixo.

Descemos correndo, mas o tio não havia chegado, quem viu tudo foi a seriema que saiu correndo atrás da gente, mesmo com a vovó espantando. Mas deu certo, logo estávamos a salvo em casa e corremos para o banho.

Bem nem precisa contar a confusão! A vovó disse ao tio que os passarinhos já haviam pagado a sua pena. E ele atônito perguntou:
_ Que pena?
_ A pena de prisão que pegaram, por serem bobos e terem entrado no seu alçapão. Então mandei as meninas soltarem e se você meu genro prender de novo, eu solto. Ouça os cantos deles soltos!
Antigamente, os mais velhos eram respeitados e o tio tirando o chapéu de palha da cabeça de raiva, não podia fazer nada.
_ Fazer o que minha sogra!

Então vovó sorriu e disse:

_ Ora, ora, você vai é comer o teu bolo preferido de amendoim, que prometo ser minha pena fazer seu doce preferido três vezes na semana.
Todos acabaram rindo e correram para sentarem a mesa, pois os bolos de vovó eram imperdíveis.

Se na tua casa tiver passarinhos presos solte, eles não são de ninguém, são de Deus e você só vai devolvê-los para a natureza, antes viver um dia livre do que viver uma vida preso.

Didi
17-07-19



SERIEMA

terça-feira, 9 de julho de 2019

APRENDENDO A NÃO FOFOCAR







Na manhã mais linda que já vi, acordamos ouvindo os pássaros a cantar.Mamãe e papai estavam dormindo conosco no mesmo quarto. Os tios de papai eram colonos há anos numa fazenda de gado em Campinas.

Havíamos chegado na tarde anterior, de início estranhamos o canto dos grilos, eu e a Dete, a casa era simples de tijolos caiada, na cozinha o fogão de tijolos que era de lenha e o forninho de tijolos ficava na área de fora. Mas era tudo muito limpinho, o chão de cimento queimado havia sido pintado de verde, havia uma sala e dois quartos, nada era grande, cômodos pequenos. Os filhos eram três e  já casados moravam em outras casas também pequenas, mas muito bem feitas e com dois quartos.

Que café delicioso tomamos,  pão caseiro, leite tirado da vaca fresquinho e bolo de milho. Terminamos e eu e Dete saímos para brincar ali no terreiro mesmo. Então chegou um menino correndo e gritando tia Vitória, tiaaaaaaa. 

 A tia aparece na porta e nós voltamos para casa, queríamos saber o que acontecia. Mas apenas ouvimos quando o menino disse: 

_ Então foi isso, Aninha se afogou ...  E o resto não ouvimos.
Mas eu disse a Dete:  

 _ Nossa coitada se afogou

 _ Vamos avisar o povo da fazenda! - Completou Dete.

E não esperamos mais, saímos correndo, nem sabia que Aninha era neta da tia Vitória. 
A primeira pessoa que encontramos foi uma senhora e já fomos dizendo:

_ A senhora já soube que Aninha se afogou! - Eu falei.
A senhora parou e olhou para nós e disse:

_ Não pode ser, ontem mesmo vi a menina. 

_ Foi agorinha de manhã, um menino levou a notícia para Tia Vitória. - Dete completou - Não é Didi?

_ É sim, só não ouvi falar de velório. 

A senhora saiu correndo e gritando Aninha do Vitório se afogou! E foi um banzé, um falando pro outro e logo a casa do Vitório foi tomada pelos vizinhos ainda bem que era domingo. 
De repente Vitório saí com a Aninha no colo e foi falando quem foi que  falou essa barbaridade? 

Bem eu e Dete corremos pra casa e nos metemos embaixo da cama, não adiantou muito rapidinho a tia Vitória nos achou e quando mamãe pegou o chinelo a tia salvou a gente. 

_ Calma Gina, calma. Venha meninas          

Bem nos pegou uma em cada mão e foi falando:

_ Aninha se afoga no leite todo dia, ela toma todo o dela e o que tiver mais e o leite acaba e Zequinha vem buscar, dizendo que a Aninha se afogou de novo. Agora cada uma pegue um punhadinho de arroz na mão.

Nem perguntamos para que era, obedecemos. 

 a tia nos levou para o terreiro e disse: _ Agora joguem para o alto. 
Jogamos e ficamos olhando para a tia. Então ela nos disse:

_ Fofoca, fuxico é assim, um fala para um que fala para dois e por aí vai se espalha. Igualzinho esse arroz que vocês jogaram. Bem agora vocês duas vão recolher todo arroz  jogado no chão.

E assim ficamos uma hora abaixadas recolhendo arroz, depois a tia disse: 

_ Muito bem, ainda vejo arroz, como a fofoca não dá pra desfazer o efeito, o arroz não se consegue recolher tudo. 

Eu e a Dete aprendemos a lição, ainda mais com a mamãe mostrando uma pimenta dedo de moça em sua mão. Ela nem precisou falar, da próxima vez ela ia passar pimenta em nossa boca. Antigamente era assim.

Didi
09-07-19


NATURALIDADE DAS CRIANÇAS - REENCARNAÇÃO





Olá, eu vim contar para vocês uma coisa incrível, todos ficamos abismados, outro dia mamãe estava lavando a frente de casa, quando um amigo de papai  parou para cumprimentá-la, eu estava ali fazendo de conta que ajudava mamãe, mas na verdade estava mais bagunçando, gosto de mexer com água no calor.

_ Bom dia, Dona Gina, esta é sua filhinha?

_ Como vai seu Luiz? Esta é a minha Didi, na verdade o nome dela é Hilda, mas o apelido ficou.

_ Ela vai na escolinha de evangelização infantil lá no centro?

_ Bem eu ainda tenho dúvidas, no entanto meu marido gosta e acredita, às vezes ele vai. 


 _Isto é bom, devemos seguir o que nos alimenta a alma, eu estou pensando em que idade vou levar meu filhinho, o Luca, ele só tem 5 anos, mas outro dia me deu uma lição e tanto do quanto ele entende as verdades do Pai.

_ Como assim, seu Luiz, tão pequeno ainda.

_ Escute e veja se não é de se pensar. Estava eu com ele na sala, ele queria jogar bola, eu estava cansado. Então falei a ele que eu já estava velho para jogar, pois ele disse não papai, você não é velho. O bisavô está velhinho, só ele, a vovó não está velha e nem o vovô. Quando a gente fica velho, Papai do céu leva a gente para morar no céu, ficar com Ele, a bisa foi morar com Ele. Eu morava lá com o Papai do Céu e aí vim pra cá morar com você e a mamãe, quando ficar velho Papai do céu vem me buscar e eu vou morar com Ele, depois eu volto a morar aqui, a bisa um dia vai voltar morar aqui também, é assim papai.

Papai chegou a tempo de ouvir o que seu Pedro contou, então disse:
_ Meu amigo , não se espante, dizem lá no centro que algumas crianças vêm vindo ao mundo para ensinar a humanidade.

_Mas Guido, eu fiquei sem resposta, sabia que ele estava falando da reencarnação, mas não sabia como comentar isso com ele, que linguagem usar e até onde ir para não atrapalhar a sua cabecinha.

_É verdade Pedro, mas veja devemos responder a todas as perguntas que as crianças nos fazem de forma sincera, indo até onde eles possam entender. O seu filhinho nada te perguntou, ele te contou algo que ele achou que você não sabia. O que você podia responder era apenas é verdade filho, assim é que acontece, o nome desse ir e voltar da casa do Papai do céu se chama reencarnação, e isto acontece para que aprendamos cada vez mais coisas novas.

_Verdade, Guido, na hora me faltou ideia, mas vou entrar no assunto do Papai do céu e vou complementar o que ele já sabe da forma que você falou.

_Sim, arrematou a mamãe, sempre devemos esclarecer as crianças conforme elas nos vão pedindo. Eu não acredito muito, mas já estou pensando em me informar, quem sabe?

Eu ouvi tudo direitinho, ir para o céu e depois voltar para aprender mais um pouquinho, gostei da ideia.


Didi

30/06/2019

ESTA POSTAGEM SUMIU COISAS DO
BLOGGER DESCULPEM OS COMENTÁRIOS SE PERDERAM
COM A POSTAGEM ORIGINAL.


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