domingo, 7 de setembro de 2014

UM MENINO ABANDONADO UMA MÃE SEM FILHOS




Vovó aquela tarde quando nos viu juntos resolveu que nos contaria a história de seu Pedro, ele trabalhava com construções e reformas de casa, papai dizia que ele era empreiteiro.

Morava em nosso bairro, com a mulher e dois filhos pequenos, nos fundos de sua casa construíra uma casa com um quarto para sua mãe e pai, já com certa idade.

_Crianças, esta história o seu Pedro conta com muito orgulho, e finaliza dizendo: “Para tudo há uma razão, Deus não nos abandona, por caminhos às vezes tortuosos nos leva à estrada certa, é só confiarmos”. Vamos a história:

_Estava só, era tão pequeno, mãe ou pai não conhecera, se conhecera não se lembrava. A noite escura, a chuva forte e de repente aquela mulher empurrando uma carrocinha, cheia de lixo, caixas de papelão muitas, garrafas plásticas, de vidro, algumas barras de ferro, alumínio quase nada, alguns fios elétricos enrolados. Ela passou olhando pra ele, adiante olhou para trás, voltou e perguntou onde morava. 

Ele não sabia, costumava ficar embaixo de uma ponte junto com meninos grandes, eles sempre lhe davam comida, pão, ajeitavam alguns papelões no chão e ali dormia, não batiam nele, não o obrigavam a fazer nada, hoje entende que cuidavam dele como podiam, tinham dó, era como se ele fosse o mascote deles.

 De antes, era disso que lembrava, alguma coisa acontecera certa noite, todos saíram correndo, ele ouviu a sirene da polícia, escondera-se atrás da coluna, encolhera-se, eles se foram e ele ficara, dormira ali mesmo e no dia seguinte saíra, não queria ficar sozinho. Andou, andou, revirou os lixos, algum mendigo lhe dera um pedaço de pão, acabou anoitecendo e com a noite a chuva.

Agora aquela mulher fazendo perguntas, ele respondia, não queria ficar sozinho, perguntou quantos anos tinha, ele não sabia direito, ela o mediu de cima a baixo e chegou à conclusão que deveria ter uns seis ou sete anos, balançou a cabeça e foi taxativa, muito pequeno para ficar sozinho na vida, levou-o consigo e para sua alegria o colocou em cima da carrocinha, ela puxando.

 Chegaram a um barraco, ela entrou e foi ajeitando a bagunça, fazendo espaço na mesa velha, um homem chegou, ela explicou como o encontrara. O homem balançou a cabeça, não temos nem pra nós, ela disse que não ia pô-lo na rua. 
O homem lembrou que ela deveria estar sentindo falta dos próprios filhos, ela disse que os seus filhos estavam bem, com teto, cama e comida quente, sentia saudades, mas entendia que era melhor para eles.

Depois o menino soube, os seus filhos eram dois, um menino e uma menina, o pai tirara dela, alegara que era alcoólatra, realmente não era, uma pinga ou outra raramente, mas ele a queria fora de sua vida, arrumara uma mulher e a colocara pra fora, ela levara os filhos, ele na hora deixou, sem dinheiro, sem emprego, saiu catando lixo ou fazendo alguma faxina, uma amiga arrumara o barraquinho, durou pouco, em menos de dois meses o oficial do fórum veio e levou os meninos, ficara só até encontrar o companheiro.

Agora o menino estava ali, desamparado, precisava de uma mãe e ela de um filho, o companheiro entendera, era um bom homem, iria dar um jeito com os documentos, escreveria para as irmãs no Juazeiro, elas arrumariam uma certidão dizendo que o filho era de uma delas, lá na fazenda as crianças demoravam anos para serem registradas.

Próximo ano estaria na escola e ela faria dele um bom homem. O companheiro ajeitou uma cama pro pequeno, nunca vira a mulher sorrir daquela forma, seus olhos brilhavam e ele gostou, sentiu que agora teriam uma razão para estar juntos, uma razão para lutarem.

Antes de se deitar ela foi até a porta do barraco, abriu-a e firmou o olhar no infinito, ajoelhou e disse : ­ OBRIGADO, OBRIGADO.

O companheiro falou: _ Quando escrever às suas irmãs diga para registrar com o nome de Pedro.

_Pedro?

_Sim, Pedro quer dizer pedra, e ele é a pedra, o alicerce de nossa nova vida.

O menino, ouvira e gostou do que tinha escutado, finalmente teria uma mãe e um pai, finalmente.

Vovó terminara, nós, pela primeira vez, estávamos sem saber o que dizer, ela perguntou e então?

_ Deus é tão bom vovó, eu disse.
_Sim vovó, foi a história mais linda que eu ouvi- disse João.
_Mas o melhor é que aconteceu de verdade- disse Isa.
_Melhor que isso Isa, o menino cresceu e se tornou o seu Pedro que conseguiu uma profissão e é um bom filho, pois ele colocou os seus pais bem pertinho dele.

_Isto mesmo, Matheus, a semente de amor germinou e floresceu e esta é a parte mais bonita. Agora que tal uma pipoca?


Assim, vovó encerrava nossa tarde.

Didi

Luconi

07-09-2014

14 comentários:

  1. A pipoca serviu pra que eles assimilassem mais ainda a beleza da história e ensinamentos nela contidos! LINDA!!! bjs, tudo de bom,chica

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  2. Gostei da história, e com razão fica mais
    bonita quando se tem fé, e crer que Deus
    da uma razão para td é bom ler e guardar na memória

    Desejo um domingo feliz!


    └──●► *Rita!!

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  3. Que história belíssima, nobre poetisa... nos leva a uma profunda reflexão sobre tudo ... Meus parabéns pela belíssima inspiração. Grande abraço.

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  4. Essas histórias fortalecem a nossa fé na Humanidade. Muito bom.
    Beijinho, um doce domingo
    Ruthia d'O Berço do Mundo

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  5. Linda história. Um final feliz, ainda bem.
    Bjs
    Marli
    marliborges.blogspot.com.br

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  6. Bela História/Estória Luconi! DEUS fecha a porta, mas deixa sempre uma janela aberta.

    Beijos,

    Furtado.

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  7. Uma estória que toca o coração e muito verdadeira.
    uma excelente semana para ti amiga.
    abração com carinho

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  8. Luconi, de chorar essa história! Muito emocionante! bjs,

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  9. Oi, Luconi!
    Que história mais linda!! História de almas que se encontram!!
    :)
    Beijus,

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  10. Retornando para agradecer a tua visita e amável comentário, assim com pegar um pouco de pipoca, pois me disseram que estava gostosa. Rsrs.

    Abraços,

    Furtado.

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  11. Boa tarde Luconi,
    Linda Estória. Belo exemplo de amor e caridade cristã, onde os corações se achegam e formam uma linda estória de vida. Deus é pai misericordioso e esta sempre com as mãos estendidas mostrando o caminho.
    Parabéns pelo maravilhoso post.
    Beijos com carinho
    Marilene
    Marilene Folhas Flores e Sutilezas

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  12. Linda história, Luconi. A história vai formando a família reunida para ouvi-la. Abraços de parabéns a Didi.

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  13. Que linda, historia, Luconi!! Fiquei emocionada! Uma historia de amor!
    Bjs e uma otima semana!!

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  14. Boa tarde Luconi
    Me comovi lendo esta linda história. Quando há amor todas as tragédias são superadas.
    Beijos minha querida e um ótimo final de semana

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